Sancler Martins
Nasci e cresci conhecendo as palavras de um grande homem, conhecido por todos como o grande fundador dos direitos humanos e verdadeiro revolucionário de sua época: Jesus. Deixo em aberto sua real veracidade, dispensando argumentos de fé pessoal para dar lugar à referência de uma idealização humanista em suas múltiplas apresentações sociais.
Nasci e cresci conhecendo as palavras de um grande homem, conhecido por todos como o grande fundador dos direitos humanos e verdadeiro revolucionário de sua época: Jesus. Deixo em aberto sua real veracidade, dispensando argumentos de fé pessoal para dar lugar à referência de uma idealização humanista em suas múltiplas apresentações sociais.
Antes que digam algo sobre um anarquista ser cristão, há de se saber que as leis individuais (as que eu tomo para mim como valores de vida e não como um método de influência social por obrigação) não são incluídas na liberdade do anarquismo. Aliás, quando falamos de anarquismo estamos falando da liberdade do ser, me tornando, portanto, livre pra decidir o que irá reger a minha vida espiritual e dispensando, portanto, a hierarquia física.
Confunde-se quem acha que os anarquistas são ateus revoltados com o sistema político (seja ele qual for) e que a todo momento estão prontos para ver o “mundo pegar fogo”. Não é natural do movimento a vontade de organizar uma grande guerra e impor que se haja um mundo sem leis gerais. O verdadeiro anarquista guarda para si os valores humanistas antes mesmo dos políticos. Para nós, a vontade de que se tenha uma sociedade de ajuda mútua, amor pelo próximo (se necessário acima do próprio – excluindo precursores narcisistas em suas diversas naturezas) e em que o pensamento seja completamente livre, são pautas principais e absolutas do sistema do ‘não-sistema’.
É incrível poder imaginar que pessoas de diferentes religiões convivam em harmonia, sem guerras ou pequenas intrigas; que pessoas de raças e sexos diferentes se sintam felizes em respirar o mesmo ar que todos os outros sem que para isso precisem de um balão de oxigênio concedendo uma sobrevida ilusória em resposta ao “tradicionalmente imutável”. Imaginem abrir os olhos pela manhã e…nada de guerra, nada de tiro, nada de furtos. O ser humano no auge da sua consciência plena da dor do próximo e necessidade alheia. O mecanismo do seu cérebro lhe repreendendo em cada vez que você pensar em furar uma fila ou atravessar o sinal vermelho, e dizendo: “ei, eu lhe denuncio. Pare aí mesmo.” De fato seria um mundo perfeito. Utópico. Um mundo que Jesus tentou formatar na mente das pessoas de sua época. Como seria lindo um abraçando o outro e estendendo a mão ao próximo sem sequer jogar uma pedra ou cogitar não olhar para tal quando estiver passando na rua e o ver em aflições.
Confesso meu sonho e tenho plena consciência das decisões sociais as quais me adequei desde pequeno. O mundo não atende aos pedidos do anarquismo. É impossível que tal movimento tenha um começo partindo de nós, humanos, que somos em consciência também maus e corrompidos por um mundo mergulhado na escuridão (inclusive a de nossas próprias mentes).
Há claridade! Se não houvesse, não gastaria anos da minha vida sonhando com uma utopia e a colocando individualmente em prática no meu cotidiano. Como seria um mundo maravilhoso se todos nós (ateus, agnósticos, cristãos, espíritas e etc) pudéssemos representar pelo menos 1% do que foi o revolucionário/líder/ concepção literária Jesus. O cara que de fato deu um dos pontapés iniciais para uma vasta filosofia libertária, nos colocando como base o ‘livre arbítrio’ que, fora de sua definição litúrgica, também encontra lugar na sociedade anarquista. Afinal, podemos escolher o que fazer na vida, mas há consenso que também devemos arcar com as consequências de nossas próprias escolhas.
Que o anarquismo não seja visto como vilão pelos contemporâneos e cristãos, mas sim como uma idealização quase romantizada de uma sociedade em que eu recebo o seu abraço sem lhe perguntar o nome.
