Lucas Gonçalves
Por que temos uma dificuldade para reconhecer o talento alheio? Pode ser uma pergunta retórica, mas realmente custamos a entender o quanto vale o talento dos esportistas. Não entrarei no mérito de seus salários, apenas a visão esportiva.
Ainda temos o hábito de compararmos os atletas com ídolos do passado, para desmerecer os ídolos atuais. É constrangedor você ter sua carreira pautada em comparações desnecessárias, é maldade comparar Messi à Maradona, principalmente após a copa América do centenário. Como jogador, Messi é muito superior, porém na seleção argentina ele não consegue ganhar um título.
É difícil, grandes desportistas sofrem ao sentir o sabor da derrota consecutivamente. Temos o exemplo de LeBron que por anos tentou ser campeão em Cleveland e amargava derrotas, se transferiu para ganhar dois anéis em Miami e voltou para ser campeão, após mais um vice-campeonato.
Mas é inegável a força de vontade que esses caras têm, além de excepcionais em seus trabalhos, ainda buscam melhorar seu desempenho, LeBron evoluiu, mostra qualidade em todos os fundamentos, apesar de ter um lance livre discutível, Messi após a Copa voltou a ser o Messi e aprimorou seu jogo... Grandes atletas se tornaram grandes após sacrifícios e dificuldades proporcionais, mas só os reconhecemos após uma valorização Hollywoodiana, tal como a de Ronaldo que após graves lesões voltou para assinar seu nome no templo do futebol, ou a de Phelps após se aposentar e voltar para disputar mais um ciclo olímpico.
Temos as histórias sendo escritas ao nosso redor, mas custamos a perceber. O basquete deixou de ser o que era antigamente, o futebol não tem mais a qualidade de antigamente, o vôlei não ganha como antigamente, o tênis está sendo monopolizado por Djoko e Serena... Sempre temos desculpas que desvalorizam o momento do esporte e com o tempo percebemos que vivemos uma fase que será marcada na historia, poderemos dizer que vimos Messi, Federer, LeBron, Phelps, Serginho e muitos outros atletas de altíssimo rendimento e que hoje são desvalorizados pela “falta de talentos para concorrer” ou por estarem em processo de aposentadoria.
Meu recado é que deixem de se perguntar quem foi melhor e apenas apreciem o momento, torçam para que seus ídolos sejam melhores a cada dia e continuem acompanhando o esporte. Somos brasileiros e adoramos torcer por algo.